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19.06.2026

Seguro de vida precisa ser tratado como proteção financeira, defendem lideranças do mercado em evento do CVG-SP

A ampliação do acesso ao seguro de vida e a necessidade de transformar a forma como o produto é apresentado aos consumidores estiveram no centro dos debates do Especial 45 Anos do CVG-SP. Durante o encontro, lideranças do mercado destacaram que o seguro deve ser visto como uma ferramenta de proteção financeira e planejamento familiar, e não apenas como uma cobertura para casos de morte. O evento contou com transmissão ao vivo pelo canal do CVG-SP no Youtube.

Participando da mesa-redonda, o presidente do Sincor-SP, Boris Ber, defendeu uma mudança de mentalidade por parte dos corretores de seguros. Ao relembrar sua trajetória profissional, ele fez uma autocrítica ao setor e alertou que muitos profissionais ainda não aproveitam o potencial do seguro de vida por falta de treinamento e adaptação às novas demandas do mercado.

Segundo Boris Ber, novos agentes têm conquistado espaço ao abordar o produto sob a ótica da proteção financeira. Para ele, os corretores precisam evoluir para acompanhar esse movimento. “O corretor não será substituído pela inteligência artificial, mas poderá ser substituído por outro corretor que saiba utilizá-la”, afirmou, destacando a tecnologia como uma importante aliada da atividade.

O presidente do Sincor-SP também chamou atenção para uma lacuna existente no atendimento de empresas. De acordo com ele, é comum que corretores comercializem seguros patrimoniais e planos de saúde corporativos, mas deixem de oferecer o seguro de vida em grupo. Para Boris Ber, proteger o patrimônio de uma empresa sem cuidar do capital humano representa uma incoerência que abre espaço para outros participantes do mercado.

Outro ponto ressaltado foi a importância de abordar o seguro de vida de maneira mais simples e positiva. Como exemplo, ele citou a experiência de um cliente que comparava a contratação do seguro ao recebimento de um terreno como presente: o pagamento do prêmio seria semelhante ao IPTU, enquanto o patrimônio permaneceria para a família, tornando a conversa menos associada a perdas e mais ligada à construção de proteção financeira.

Durante o debate, o diretor Comercial Nacional Varejo da Bradesco Vida e Previdência, Bernardo Castello, afirmou que o mercado avançou significativamente em produtos e processos, mas que o principal desafio atual é ampliar a oferta ativa do seguro de vida. Ele compartilhou o caso de um corretor especializado em automóveis que se arrependeu de nunca ter oferecido o produto a um cliente próximo, cuja família ficou desamparada após sua morte.

Já o diretor Comercial da Tokio Marine Seguradora, Marcos Kobayashi, destacou o crescimento da participação dos corretores na comercialização de seguros de pessoas. Segundo ele, 67% dos corretores ativos da companhia já atuam nesse segmento, muitos deles vindos do ramo de automóveis. Para o executivo, o desenvolvimento do mercado depende de educação contínua e da oferta recorrente de soluções que valorizem benefícios em vida.

Na mesma linha, o CEO da Centauro-ON, Ricardo Iglesias Teixeira, avaliou que o mercado brasileiro ainda possui amplo espaço para crescimento. Ele defendeu uma comunicação mais atrativa para o consumidor e reforçou a necessidade de conscientizar a população sobre o seguro de vida como instrumento de educação financeira e proteção patrimonial.

Mediado pelo presidente do CVG-SP, Anderson Mundim, o encontro integrou as comemorações dos 45 anos da entidade e reuniu representantes de seguradoras, corretoras e instituições do setor. O evento foi encerrado com homenagens à trajetória do CVG-SP e com o compromisso das lideranças de fortalecer a cultura de proteção financeira e ampliar o alcance dos seguros de pessoas no Brasil.

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