O 1º delegado da Fenacor representando o Sincor-SP, Manuel Dantas Matos, acaba de lançar o livro “Da Intermediação à Infraestrutura – A Distribuição de Seguros e a Arquitetura da Confiança na Era dos Dados”. Publicada pela Editora Roncarati, a obra reúne anos de estudos e quatro décadas de atuação do autor para discutir como a distribuição de seguros está sendo redesenhada pela governança de dados, pelas plataformas digitais e pela inteligência artificial. É possível adquirir o material no site oficial do especialista.
Organizado em 27 capítulos, o livro apresenta um arcabouço conceitual para compreender as mudanças estruturais que vêm transformando o mercado. A proposta é analisar o momento em que a distribuição deixa de ser vista apenas como um canal comercial e passa a desempenhar o papel de infraestrutura estratégica para a organização do setor.
Segundo Matos, três movimentos simultâneos estão acelerando essa transformação: plataformas privadas passam a definir padrões que escapam à supervisão direta do regulador; a convergência entre Open Finance e Open Insurance concentra a governança sob uma lógica bancária; e a inteligência artificial tende a substituir atividades baseadas exclusivamente na intermediação operacional. “Plataformas privadas definem padrões que o regulador não supervisiona. A convergência entre Open Finance e Open Insurance concentra governança sob lógica bancária. A inteligência artificial elimina o intermediário que só processa cotação. Três pressões simultâneas estão redesenhando a distribuição de seguros – por fatos consumados, não por escolha institucional.”
A partir desse diagnóstico, a obra propõe instrumentos para compreender e responder a essa reorganização do mercado, desenvolvendo conceitos como “compressão institucional tridimensional”, “regulação infraestrutural de fato”, “captura regulatória invertida” e “bifurcação funcional do corretor”.
Entre as principais teses defendidas pelo autor está a de que o corretor que atua apenas como canal de cotação tende a perder espaço para os algoritmos, enquanto o profissional capaz de organizar informações, estruturar riscos, coordenar fluxos de consentimento e traduzir a complexidade para o cliente ganhará ainda mais importância. “O corretor-canal de cotação será absorvido pelo algoritmo. O corretor-arquiteto de risco – que organiza consentimento, coordena fluxos de informação e traduz complexidade – tende a ganhar relevância.”
Outro destaque da publicação é a proposta do PI-SNSP (Padrões de Interoperabilidade de Dados do Sistema Supervisionado), apresentada como um instrumento capaz de fortalecer a autoridade regulatória sobre a infraestrutura informacional do mercado supervisionado.
Voltado a legisladores, reguladores, formuladores de políticas públicas, investidores, lideranças do setor e corretores de seguros, o livro busca antecipar mudanças que, segundo o autor, já estão em curso e ainda podem ser influenciadas antes de se consolidarem definitivamente.
Com uma trajetória de quatro décadas dedicada à organização do mercado de seguros por meio da tecnologia e da articulação institucional, Manuel Matos participou de importantes marcos da evolução do setor, como a informatização da Susep nos anos 1980, a estruturação da BB Seguridade, a inserção de corretores e cartórios na ICP-Brasil e a formulação dos fundamentos conceituais do Open Insurance.
“Quando a infraestrutura de dados já está construída antes de as regras serem definidas, a regulação chega para ratificar fatos consumados. Este livro identifica esse intervalo enquanto ele ainda está aberto”, conclui o autor.