Por Antonio Penteado Mendonça*
No dia 12 de junho aconteceu um evento da maior importância para a cidade de São Paulo. O Sindseg-SP (Sindicato das Seguradoras do Estado de São Paulo) e a prefeitura da Capital firmaram uma parceria para aumentar a resiliência climática da cidade.
O Brasil costuma discutir estes eventos logo depois da sua ocorrência; os políticos prometem mundos e fundos, em seguida esquecem o que prometeram; a imprensa discute o que aconteceu, dá destaque para as tragédias, entrevista especialistas, os confronta com representantes da administração pública; os prejuízos são contabilizados e, passado algum tempo, o assunto é quase esquecido, pelo menos em termos de ações concretas que minimizem os danos futuros. Fala-se muito e se faz muito pouco.
O resultado é que no ano seguinte o quadro se repete, invariavelmente, com os mesmos resultados, ou seja, os prejuízos acontecem de novo e as principais vítimas seguem sendo as pessoas menos favorecidas, os mais pobres, que, mais uma vez, perdem tudo ou quase tudo, enquanto a ladainha do ano passado segue firme e forte, justificando a tragédias acontecida este ano.
É este círculo vicioso que a parceria entre o Sindseg-SP e a prefeitura pretende quebrar. O que está sendo oferecido para a prefeitura é um estudo inédito sobre os riscos climáticos e os mecanismos para ampliar a preparação da Capital para enfrentar estes eventos.
Ao contrário do que muita gente pensa, a prefeitura de São Paulo está bastante adiantada no enfrentamento dos eventos de origem climática que se abatem sobre a Capital. O que a parceria busca é somar o conhecimento técnico com o gerenciamento de riscos, visando mitigar o potencial de danos em benefício da população.
Não há como diminuir a violência das tempestades, vendavais, ventanias etc., que se abatem sobre a cidade. O que a parceria pretende é fornecer as ferramentas para que as medidas minimizadoras dos danos e prejuízos sejam planejadas de acordo com as reais necessidades de cada região.
Patrocinado pelo Sindseg SP e realizado pela Guy Carpenter, o estudo reúne informações sobre a exposição das diferentes regiões da cidade a riscos climáticos e seus possíveis impactos. A ideia é antecipar a tomada de decisão, através do uso de dados e evidências geradas pelo programa. O estudo oferece uma visão integrada que permite transformar informações em subsídios para definir ações e prioridades.
A modelagem do projeto dividiu a cidade de São Paulo em grids de 1 quilômetro quadrado, mapeando a exposição dos ativos de cada região aos impactos dos principais riscos climáticos. Com isso, é possível a adoção de uma série de medidas, levando em conta a gravidade dos riscos de acordo com os pilares estratégicos definidos no programa.
São Paulo passa a contar com o apoio da parceria imediatamente e, dado suas informações consistentes deve ter resultados efetivos em pouco tempo. Outras cidades do Brasil não têm o banco de dados da Capital, mas não há nada que as impeça de receberem o modelo de avaliação desenvolvido pela Guy Carpenter, a pedido do Sindseg-SP, para iniciarem um processo semelhante.
* Antonio Penteado Mendonça é escritor, advogado sócio da Penteado Mendonça e Char, formado pela USP, com especialização em Direito Ambiental pelo DSE, na Alemanha, e em Seguros pela FGV-Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Também é professor, palestrante, escritor e ex-presidente da Academia Paulista de Letras.
Fonte: Estadão