As transformações climáticas, os desafios da política de subvenção ao Seguro Rural e as oportunidades para os corretores ampliarem sua atuação estiveram no centro do Plantão Técnico das Comissões promovido pelo Sincor-SP. Com o tema “Desafios e Oportunidades do Seguro Rural no Brasil”, o encontro reuniu a jornalista especializada e fundadora do Portal Seguro Rural Brasil, Tany Souza, e o coordenador da Comissão de Riscos Rurais do Sincor-SP, Davi Elias Martin, em um debate voltado à atualização técnica e estratégica dos profissionais do mercado.
Durante a abertura, Tany destacou que o Seguro Rural vai muito além da proteção das lavouras, sendo uma ferramenta essencial para garantir a sustentabilidade do agronegócio brasileiro. Ela lembrou que o segmento reúne diferentes modalidades, como seguros agrícola, pecuário, de florestas, de benfeitorias e de cédula do produtor rural, formando um amplo ecossistema de proteção.
Um dos principais pontos da apresentação foi o impacto das mudanças climáticas sobre a atividade agropecuária. Segundo a jornalista, eventos extremos tendem a aumentar a exposição aos riscos, exigindo maior planejamento por parte dos produtores e reforçando a importância do Seguro Rural. Ela ressaltou que esse cenário também representa uma oportunidade para que os corretores atuem de forma mais consultiva, demonstrando aos clientes o valor da proteção diante da crescente imprevisibilidade climática.
Outro tema debatido foi o Projeto de Lei nº 295/2024, de autoria da senadora Tereza Cristina, conhecido como o novo marco legal do Seguro Rural. Entre as propostas discutidas estão a criação de mecanismos para tornar obrigatórios os recursos destinados à subvenção federal, a vinculação do seguro ao crédito rural, a utilização da apólice como garantia em operações financeiras e a criação de um fundo voltado ao enfrentamento de catástrofes climáticas.
Ao comentar o cenário atual, Davi Elias Martin alertou que a falta de previsibilidade orçamentária continua sendo um dos principais obstáculos ao crescimento do Seguro Rural no Brasil. Segundo ele, os sucessivos cortes nos recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) dificultam o planejamento do mercado e limitam a expansão da proteção aos produtores.
“O Seguro Rural ainda depende da subvenção. Sem ela, o mercado não consegue alcançar a escala necessária para atender o produtor da forma adequada”, afirmou. O coordenador também informou que representaria o Sincor-SP e a Fenacor em reuniões, em Brasília, com parlamentares, representantes do Ministério da Agricultura e entidades do setor para discutir propostas de fortalecimento do segmento.
A evolução tecnológica também ganhou espaço no encontro. Os participantes destacaram o uso crescente de inteligência artificial, imagens de satélite, sensores, georreferenciamento e ferramentas de monitoramento climático para aprimorar a gestão de riscos no campo. Segundo Tany, o avanço dessas tecnologias permitirá análises cada vez mais precisas das propriedades rurais, contribuindo para uma avaliação mais eficiente dos riscos e para o desenvolvimento de novos produtos securitários.
O grupo ainda debateu o Seguro Paramétrico, modalidade que utiliza índices climáticos para determinar automaticamente o pagamento de indenizações. Davi explicou que o modelo apresenta potencial, especialmente em mercados mais maduros, mas ainda precisa evoluir no Brasil para oferecer maior personalização e transparência aos produtores.
“Quando bem estruturado, o Seguro Paramétrico pode ser uma alternativa importante, mas é fundamental que o produtor compreenda exatamente o que está contratando e quais são os critérios para a indenização”, destacou.
Ao encerrar sua apresentação, Tany Souza reforçou que o Seguro Rural representa um amplo campo de oportunidades para os corretores de seguros. Para ela, a especialização no segmento permite ampliar a carteira de clientes, oferecer uma consultoria mais estratégica e atuar em um mercado que ainda possui elevado potencial de crescimento.
Complementando a mensagem, Davi Elias Martin lembrou que apenas uma pequena parcela da área agrícola brasileira está segurada, o que evidencia o espaço existente para expansão. Segundo ele, além do conhecimento técnico, o corretor deve investir em monitoramento, tecnologia e acompanhamento constante das propriedades para entregar mais valor aos produtores rurais.
Os Plantões Técnicos das Comissões integram o Hub de Soluções do Sincor-SP e são exclusivos para associados, oferecendo conteúdo prático, atualização técnica e apoio ao desenvolvimento profissional dos corretores de seguros.