JCS Digital
27.04.2026

Artigo: Guerra e seguro no Brasil

Por Antonio Penteado Mendonça*

O mundo atravessa uma fase complicada. As relações internacionais perderam as ferramentas de apaziguamento criadas depois da Segunda Guerra Mundial e a “paz suave” que prevaleceu nos últimos 80 anos foi substituída pelo uso da força bruta, sem maiores discussões.

O espantoso é que a ruptura com a antiga ordem foi um ato de vontade do presidente dos Estados Unidos, tradicionalmente, o grande avalista da ordem baseada nas negociações em lugar da ordem baseada na força.

Hoje o planeta é palco de guerras na Europa, Oriente Médio, África e Ásia. Nunca, desde 1945, o mundo assistiu a tantos conflitos ao mesmo tempo. Alguns mais caros para a economia global, outros, praticamente indiferentes, eles mudaram as relações entre as nações, enfraqueceram laços e alianças, criaram polos de tensão, ameaçando a ordem internacional e gerando uma grave crise econômica e financeira, em função do aumento do preço do petróleo.

O grande nó é o Oriente Médio. A guerra promovida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã atingiu, como era evidente que aconteceria, o tráfego de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Do dia para a noite, o preço do barril saltou de 60 dólares para mais de 100 dólares. E o que é mais grave, gerou a escassez do produto, com a aviação internacional cancelando milhares de voos por conta da nova realidade do querosene aeronáutico e vários países adotando medidas emergenciais para minimizar os danos materiais e econômicos.

Os organismos internacionais já precificaram a queda do crescimento da economia e o aumento da inflação ao redor do mundo. Inclusive os Estados Unidos, responsável direto pelo que está acontecendo, apesar de ser o maior produtor de petróleo, já sente o peso do novo cenário com o aumento do preço de um grande rol de produtos.

O impacto na economia global gera reações em toda a cadeia de produção, como um enorme dominó onde as peças são as nações. A Europa já sente os efeitos da guerra. A China precisa uma alternativa para o petróleo importado do Golfo Pérsico. O Brasil terá problemas com os insumos essenciais para o agronegócio. Enfim, poucas nações não serão atingidas pelas consequências da guerra.

A crise econômica já aconteceu e mesmo que se alcance a paz imediatamente, a volta ao cenário de normalidade não acontece do dia para a noite. Hoje, o mundo está mais caro e deve permanecer assim por um bom tempo.

Um mundo mais caro quer dizer que o seguro vai custar mais caro. A operação de seguro é das mais globalizadas. Riscos do outro lado do planeta afetam o preço das apólices em todas as partes. E é isso que vai acontecer, em primeiro lugar por conta do aumento do preço dos seguros no Oriente Médio e, em segundo lugar, pela crise econômica que vai aumentar a inflação e o preço dos produtos em todo o mundo. 

Numa linguagem simples, como o seguro funciona através de vasos comunicantes que interligam as companhias, o brasileiro vai pagar mais caro pelo seguro do seu automóvel ou da sua empresa em função de eventos completamente fora de seu controle, mas que vão impactar a nossa economia.      

* Antonio Penteado Mendonça é escritor, advogado sócio da Penteado Mendonça e Char, formado pela USP, com especialização em Direito Ambiental pelo DSE, na Alemanha, e em Seguros pela FGV-Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Também é professor, palestrante, escritor e ex-presidente da Academia Paulista de Letras.

Fonte: Estadão

NOTÍCIAS

Veja também

Escaneie o QRCode e tire suas dúvidas com a Sinc.IA pelo WhatsApp.

Com a Assistente Virtual do Sincor-SP, você tem acesso a benefícios, eventos, cursos, cobranças e muito mais. Adicione o número (11) 95775-8854 em seus contatos.