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13.07.2026

Artigo: Um quadro preocupante

Por Antonio Penteado Mendonça*

Faz poucos dias, saiu a notícia do aumento dos roubos e furtos de veículos no Rio de Janeiro, com o consequente aumento das indenizações pagas pelas seguradoras. De outro lado, o telejornal “Bom Dia São Paulo”, da Rede Globo, trouxe a informação de que entre janeiro e junho, apenas no Estado de São Paulo, foram roubadas ou furtadas 195 mil alianças, ou 45 por hora, o que dá uma noção da falta de segurança que impera no país.

São números impressionantes que fariam qualquer pessoa com um mínimo de bom senso se preocupar seriamente com a situação, agravada pelas organizações do crime organizado, que controlam grandes áreas urbanas, principalmente no Rio de Janeiro, o que não quer dizer que também não tenham amplo domínio sobre territórios em outros Estados, como São Paulo, Minas Gerais, Bahia e, principalmente, a região Amazônica.

O tema segurança pública deve ser o grande mote da campanha eleitoral que entra na reta de chegada a partir de agosto. A radicalização política nacional faz com que os partidos a esquerda e a direita ergam essa bandeira, independentemente de, na prática, terem ou não feito algo mais relevante para reverter a situação.

Para a população é indiferente nossos homens públicos gritarem aos 4 ventos que fizeram isso mais aquilo, que apresentaram projetos de lei para mudar o quadro, que o outro lado é que não deixa o tema avançar, e por aí a fora.

Na prática, no dia a dia, o brasileiro tem medo de sair na rua e até os moradores das zonas rurais estão inseguros, já que sítios e fazendas têm sido regularmente assaltados por quadrilhas especializadas.

Eu não conheço uma pesquisa que aponte quanto custa a falta de segurança que varre o Brasil de ponta a ponta. Não precisa incluir os números do crime organizado, com tráfico de drogas, armas e outras ações, como exploração de madeira e garimpo ilegal. Os crimes menores, ou menos sofisticados, com certeza geram prejuízos de dezenas de bilhões de reais. Grande parte dos quais fica na conta da vítima, que não tem a quem recorrer e que não tem seguro para repor as perdas.

Isso se ficássemos apenas nos crimes patrimoniais. Mas o quadro é mais grave. A vida humana, atualmente, vale muito pouco. Se mata por uma aliança ou um telefone celular. Para não falar nas execuções de todos os tipos, encomendadas ou espontâneas, como os feminicídios que seguem crescendo.

O quadro é tão sério que o Paraguai um belo dia fechou a fronteira com o Brasil em função da falta de segurança do lado de cá. E os Estados Unidos não só incluíram o PCC e o Comando Vermelho na lista de organizações terroristas, como em seguida agiram contra pessoas e empresas brasileiras ligadas ao crime organizado.

Quem paga a conta, como é hábito, é a população, especialmente os menos favorecidos, que são justamente os que moram nas regiões dominadas pelo crime. Além deles, as empresas morrem com sua cota de prejuízos, e entre elas as seguradoras são diretamente afetadas, porque a violência direta e indireta atinge em cheio o seu negócio.

As consequências deste quadro, sem solução de curto prazo, são dramáticas, custam caro e depõem contra o país.

* Antonio Penteado Mendonça é escritor, advogado sócio da Penteado Mendonça e Char, formado pela USP, com especialização em Direito Ambiental pelo DSE, na Alemanha, e em Seguros pela FGV-Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Também é professor, palestrante, escritor e ex-presidente da Academia Paulista de Letras.

Fonte: Estadão

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