Lideranças dos corretores de seguros e das seguradoras participaram, na sexta-feira (19 de junho), de mais uma reunião da Comissão Intersindical entre o Sincor-SP e o Sindseg-SP. Realizado de forma on-line, o encontro abordou temas que impactam diretamente a atuação dos corretores, com destaque para a Pesquisa de Melhoria Contínua (PMC) do Seguro Residencial, os desafios envolvendo veículos elétricos, processos de indenização, oficinas não credenciadas e os impactos da reforma tributária.
Na abertura da reunião, a 1ª vice-presidente do Sincor-SP e coordenadora da Comissão Intersindical, Simone Fávaro, conduziu os trabalhos e destacou a importância da continuidade do diálogo entre corretores e seguradoras para antecipar problemas e construir soluções conjuntas.
Um dos primeiros assuntos tratados foi o lançamento da Pesquisa de Melhoria Contínua (PMC) do Seguro Residencial, iniciativa do Sincor-SP inspirada no trabalho já consolidado no seguro Automóvel. Ao apresentar o tema, Simone Fávaro destacou que a pesquisa já estava em andamento e vinha registrando boa adesão dos corretores. A expectativa da entidade é reunir entre 700 e 800 respostas, oferecendo às seguradoras um panorama consistente sobre produtos, serviços e assistências, contribuindo para o aprimoramento contínuo do ramo residencial. “O PMC do Automóvel mostrou como a percepção dos corretores pode contribuir para a evolução dos produtos e dos serviços oferecidos pelas seguradoras. Nossa expectativa é que a pesquisa do Seguro Residencial tenha o mesmo resultado, fornecendo informações que ajudem a aprimorar o mercado e beneficiem toda a cadeia de distribuição”, afirmou Simone Fávaro.
Outro tema que concentrou os debates foi o crescimento da frota de veículos elétricos e os reflexos desse cenário para os seguros de automóveis e condomínios. A preocupação apresentada pelo Sincor-SP envolve situações em que um incêndio em um veículo elétrico possa causar danos estruturais ao edifício, além de prejuízos a terceiros.
Durante a discussão, representantes das seguradoras compartilharam diferentes entendimentos sobre a aplicação das coberturas de Responsabilidade Civil, seguro de condomínio e direito de regresso, demonstrando que o tema ainda demanda maior uniformização de procedimentos e orientação ao mercado. Boris Ber, presidente do Sincor-SP, ressaltou que se trata de um assunto que exige atenção imediata. “Hoje ninguém contrata um limite de responsabilidade civil pensando em um prejuízo estrutural dessa dimensão. Precisamos estudar esse cenário e orientar melhor os corretores para que possam proteger adequadamente seus clientes”, apontou Boris.
Como encaminhamento, a Comissão decidiu consolidar as dúvidas levantadas durante a reunião e encaminhá-las às seguradoras para aprofundar os estudos técnicos sobre o tema. Também ficou definida a participação das comissões técnicas do Sincor-SP na elaboração de materiais de orientação aos corretores.
Simone Fávaro destacou que a evolução tecnológica exige atualização constante dos profissionais. “Nosso papel é antecipar essas discussões. Os veículos elétricos já fazem parte da realidade e os corretores precisam estar preparados para orientar clientes sobre riscos, coberturas e limites de responsabilidade”, disse Simone.
Outro assunto que voltou à pauta foi a cobrança de diárias em oficinas não credenciadas após a caracterização de perda total do veículo. Corretores relataram casos em que os segurados permanecem responsáveis pelos custos de permanência do automóvel até sua retirada pela seguradora, gerando desgastes e, em algumas situações, obrigando os próprios corretores a intermediar negociações com as oficinas. As seguradoras explicaram que, em seus processos internos, os segurados são previamente informados sobre a responsabilidade pelas diárias quando optam por oficinas não referenciadas. Também reconheceram, porém, que há casos em que a demora na liberação ou retirada do veículo acaba ampliando os conflitos, comprometendo a experiência do cliente.
A Comissão também voltou a discutir os valores das franquias aplicadas às coberturas de vidros, faróis e lanternas. Corretores relataram situações em que a franquia cobrada supera o custo da própria peça, comprometendo a percepção de valor da cobertura e gerando insatisfação entre os segurados. O Sincor-SP solicitou que as seguradoras reavaliem esses valores, buscando maior equilíbrio entre o custo da franquia e o efetivo valor dos reparos.
Também entrou em pauta a negativa de indenizações em casos de recusa do teste do etilômetro (bafômetro). O tema foi analisado sob a ótica jurídica e operacional, considerando decisões recentes do Judiciário e os diferentes procedimentos adotados pelas seguradoras. Durante o debate, foi destacado que a simples recusa ao teste, por si só, nem sempre tem sido considerada suficiente para justificar a negativa da indenização, especialmente quando não existem outros elementos que comprovem a embriaguez do condutor ou o nexo causal entre eventual consumo de álcool e o acidente.
Outro ponto levantado pelo Sincor-SP foi a necessidade de revisão de algumas condições gerais das apólices, especialmente em relação a referências ainda existentes ao antigo DPVAT, extinto pela legislação. A entidade solicitou que as seguradoras revisem seus textos contratuais para eliminar dispositivos que já não refletem a realidade do mercado.
Na parte institucional, Boris Ber voltou a abordar os impactos da reforma tributária sobre a atividade dos corretores de seguros. Segundo ele, o Sincor-SP, em conjunto com a Fenacor, a CNseg e a Fenseg, acompanha as discussões e defende o adiamento da implementação de alguns procedimentos operacionais até que haja maior clareza sobre as novas exigências fiscais. “Estamos falando de mudanças profundas na rotina das corretoras. Precisamos construir soluções que sejam viáveis para todo o mercado e evitar aumento desnecessário da burocracia”, afirmou.
Ao encerrar a reunião, Simone Fávaro destacou que a Comissão Intersindical continuará acompanhando todos os temas debatidos, promovendo estudos técnicos e fortalecendo a interlocução entre corretores e seguradoras. “A Intersindical tem justamente esse papel: trazer para a mesa os desafios que surgem no dia a dia da corretagem, promover o diálogo com as seguradoras e construir soluções que fortaleçam o mercado de seguros como um todo.”