Lideranças dos corretores de seguros e das seguradoras participaram, nesta sexta-feira, 18 de setembro, de mais uma reunião da Comissão Intersindical entre o Sincor-SP e o Sindseg-SP. Realizado de forma on-line, o encontro discutiu questões que impactam a rotina dos profissionais e segurados, com destaque para assistência 24 horas, valores de franquias, renovação do seguro Automóvel e mudanças envolvendo os seguros de Automóvel e Transportes. Na abertura, a 1ª vice-presidente do Sincor-SP e coordenadora da Comissão Intersindical, Simone Fávaro, reforçou a importância do diálogo entre corretores e seguradoras para identificar dificuldades e buscar soluções conjuntas.
Um dos temas que ganhou destaque foi a necessidade de maior alinhamento diante das mudanças que envolvem os seguros de Automóvel e Transportes. Os participantes relataram dúvidas e preocupações, principalmente entre pequenos e médios corretores e transportadores, sobre as novas regras e seus reflexos na contratação, subscrição e regulação dos riscos. O presidente do Sincor-SP, Boris Ber, defendeu uma atuação conjunta das entidades e áreas técnicas das seguradoras. “É um assunto extremamente complexo e delicado, principalmente para os pequenos e médios corretores. Precisamos primeiro entender como esse mecanismo vai funcionar e alinhar o mercado para depois levar uma orientação clara aos profissionais”, afirmou.
Como encaminhamento, a Comissão propôs uma reunião extraordinária da Intersindical, reunindo representantes das áreas de Automóvel e Transportes das seguradoras e das respectivas comissões técnicas do Sincor-SP, para aprofundar o tema e buscar um entendimento que possa orientar o mercado.
A assistência 24 horas, tema recorrente nos últimos encontros, também voltou à pauta. Simone destacou que os casos encaminhados diretamente ao Sincor-SP vêm sendo solucionados e reconheceu avanços das seguradoras, que intensificaram o diálogo com prestadores e redes de credenciamento. Ainda assim, reclamações continuam chegando por meio das Regionais e da Comissão de Automóvel, principalmente sobre os atendimentos nos finais de semana e durante a madrugada. “Estamos vendo uma evolução e um ajuste importante. As seguradoras estão olhando de uma forma diferente para a assistência, realizando reuniões e aproximando os prestadores. Os casos que chegam diretamente ao Sincor-SP têm sido resolvidos, mas ainda existem situações pontuais que precisamos acompanhar”, explicou Simone.
Outro ponto de atenção foram os valores das franquias de lanternas e faróis. Há situações em que o consumidor encontra a peça no mercado por valor inferior ao da franquia prevista na apólice, gerando questionamentos sobre a utilização da cobertura. “Quando a peça custa menos do que a franquia, fica difícil até para o corretor explicar ao cliente a vantagem daquela cobertura. É um tema que já havíamos levado às seguradoras, houve melhora, mas voltou a aparecer com frequência e precisa ser revisitado”, afirmou Simone.
Representantes das seguradoras reconheceram que mudanças de modelos, peças e tecnologias podem provocar distorções e solicitaram o compartilhamento dos casos para análise das áreas de produto. O Sincor-SP passará a reunir os exemplos identificados e encaminhá-los às companhias.
As franquias dos seguros Empresariais também foram debatidas. Corretores vêm relatando aumentos expressivos em algumas coberturas nas renovações, dificultando a manutenção das apólices. As seguradoras explicaram que os ajustes podem estar relacionados à atividade do segurado, severidade do risco, sinistralidade e recomendações de melhorias não implementadas. A análise de casos concretos foi apontada como caminho para identificar eventuais distorções.
A competitividade nas renovações do seguro Automóvel foi outro tema levantado. Segundo Simone, corretores têm identificado clientes com vários anos de relacionamento e sem histórico recente de sinistros que recebem propostas de renovação significativamente superiores às encontradas em outras companhias e, em alguns casos, até aos valores obtidos em uma nova cotação.
“Estamos observando uma migração de carteira que antes não era tão comum. Temos clientes com classes de bônus altas e vários anos de renovação que acabam precisando trocar de seguradora por uma diferença muito grande de preço. É importante entender o que está acontecendo e avaliar essas renovações”, ressaltou.
A Comissão também alertou para diferenças relevantes entre preços apresentados pelo canal corretor e por instituições bancárias para seguros da mesma companhia e com condições semelhantes. Para o Sincor-SP, discrepâncias expressivas podem prejudicar a relação de confiança construída pelo corretor com o segurado e merecem atenção das seguradoras.
Outro assunto envolveu sinistros de Responsabilidade Civil Facultativa de Veículos (RCFV) em que o terceiro utiliza um veículo de locadora e, por força contratual, precisa arcar com uma franquia em razão do acidente. A Comissão questionou como as seguradoras tratam esse valor na indenização por danos materiais, considerando sua relação direta com o sinistro. Como foram apresentados diferentes entendimentos, as companhias ficaram de consultar suas áreas de sinistros e compartilhar seus posicionamentos com a Comissão.
Na parte institucional, Boris Ber também abordou a reforma tributária e destacou que ainda existem dúvidas sobre os procedimentos que deverão ser adotados pelas empresas e corretoras. O Sincor-SP acompanha o assunto em conjunto com outras entidades do mercado e reforçou a importância da troca de informações com as seguradoras para preparar o setor para as mudanças.
Ao encerrar o encontro, Simone agradeceu a participação das companhias e reforçou o caráter colaborativo da Comissão Intersindical. “É um trabalho que fazemos a quatro mãos. O Sincor-SP traz as demandas dos corretores, as seguradoras nos ajudam a analisar e solucionar os casos e, juntos, conseguimos aprimorar processos que impactam diretamente o atendimento ao segurado.”