As mudanças climáticas, os desafios para ampliar a proteção ao agronegócio e o potencial de crescimento do Seguro Rural pautaram o Plantão Técnico das Comissões promovido pelo Sincor-SP no dia 13 de julho. Realizado de forma online, o encontro reuniu a jornalista especializada e fundadora do Portal Seguro Rural Brasil, Tany Souza, e os integrantes da Comissão de Riscos Rurais do Sincor-SP, coordenada por David Elias Martin, em um debate voltado à atualização técnica dos corretores de seguros.
Logo na abertura, Tany destacou que o Seguro Rural vai muito além da proteção das lavouras e representa um instrumento estratégico para garantir a sustentabilidade do agronegócio brasileiro. Ela explicou que o segmento reúne diversas modalidades — como os seguros agrícola, pecuário, de florestas, de benfeitorias e de cédula do produtor rural — e exerce papel fundamental para o desenvolvimento da produção nacional. “O Seguro Rural é uma ferramenta muito importante para que isso aconteça. O Brasil é o único país capaz de alimentar o mundo inteiro, por isso o seguro é essencial para dar sustentação ao agronegócio”, afirmou.
Um dos principais temas abordados foi o impacto das mudanças climáticas sobre a atividade agropecuária. Durante a apresentação, Tany alertou que o aumento da frequência e da intensidade dos eventos extremos exige uma atuação cada vez mais preventiva e consultiva por parte dos corretores.
“Este também é um ano de oportunidade para o corretor que já trabalha com Seguro Rural demonstrar ao produtor que as mudanças climáticas já estão acontecendo e mostrar a importância de contar com esse tipo de proteção. Precisamos transformar esse desafio em conscientização”, destacou.
Outro assunto em destaque foi o Projeto de Lei nº 2951/2024, de autoria da senadora Tereza Cristina, que propõe um novo marco legal para o Seguro Rural. Entre os pontos debatidos estão a criação de mecanismos para garantir recursos permanentes para a subvenção federal, a vinculação do seguro ao crédito rural, a utilização da apólice como garantia em operações financeiras e a criação de um fundo voltado ao enfrentamento de eventos climáticos de grande impacto.
Ao longo do debate, os integrantes da Comissão de Riscos Rurais destacaram que a imprevisibilidade orçamentária continua sendo um dos principais obstáculos para a expansão do Seguro Rural no Brasil. Segundo a Comissão, os sucessivos cortes nos recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) comprometem o planejamento de produtores, seguradoras e corretores, além de limitar a ampliação da cobertura securitária.
Durante o encontro, David Elias Martin informou que representaria o Sincor-SP e a Fenacor, em Brasília, em reuniões com parlamentares, representantes do Ministério da Agricultura e entidades do setor para discutir propostas de fortalecimento do Seguro Rural, incluindo mecanismos que garantam maior previsibilidade para os recursos destinados ao PSR.
A tecnologia também ocupou espaço de destaque na programação. O uso de inteligência artificial, imagens de satélite, sensores, georreferenciamento e ferramentas de monitoramento climático foi apresentado como um importante aliado para aprimorar a gestão de riscos no campo e desenvolver produtos cada vez mais adequados às necessidades dos produtores.
Outro tema debatido foi o Seguro Paramétrico, modalidade que utiliza índices climáticos para determinar automaticamente o pagamento das indenizações. Os participantes avaliaram que a solução possui potencial para crescer no mercado brasileiro, mas ainda demanda evolução tecnológica e maior personalização para atender às diferentes características das propriedades rurais.
“O Seguro Paramétrico tem espaço para evoluir. A tecnologia está avançando rapidamente e tende a tornar esse modelo cada vez mais preciso e adequado às diferentes realidades do campo”, observou Tany Souza.
Ao encerrar sua apresentação, a jornalista reforçou que o Seguro Rural continua sendo uma das áreas com maior potencial de expansão para os profissionais do mercado de seguros. “Existe um campo verde para o corretor que deseja expandir sua atuação. Quem busca especialização encontra oportunidades para ampliar sua carteira, oferecer uma consultoria mais estratégica e gerar ainda mais valor para o produtor rural”, concluiu.
Na avaliação da Comissão de Riscos Rurais do Sincor-SP, o mercado brasileiro ainda possui amplo espaço para crescimento. Além da capacitação técnica, os participantes ressaltaram que o uso de ferramentas de monitoramento e de informações qualificadas fortalece a atuação consultiva do corretor, contribuindo para ampliar a cultura do seguro no campo e oferecer soluções mais adequadas aos produtores rurais.
Os Plantões Técnicos das Comissões integram o Hub de Soluções do Sincor-SP e são exclusivos para associados, oferecendo conteúdo prático, atualização técnica e apoio ao desenvolvimento profissional dos corretores de seguros.