Lideranças dos corretores de seguros e das seguradoras participaram, nesta sexta-feira (8 de maio), de mais uma reunião da Comissão Intersindical entre o Sincor-SP e o Sindseg-SP. Realizado de forma on-line, o encontro abordou temas que vêm impactando diretamente a rotina das corretoras, com destaque para assistência 24 horas, reforma tributária, variações de preços no seguro Auto e dificuldades operacionais em processos de vistoria.
Na abertura da reunião, a vice-presidente do Sincor-SP e coordenadora da Comissão Intersindical, Simone Fávaro, reforçou a importância da participação contínua das seguradoras nos encontros e destacou que a programação anual das reuniões já foi previamente compartilhada para facilitar a organização das agendas.
O presidente do Sincor-SP, Boris Ber, ressaltou o reconhecimento nacional da Comissão Intersindical como espaço de diálogo entre corretores e seguradoras. Segundo ele, o objetivo é manter uma agenda permanente de debates voltados à melhoria dos processos e ao fortalecimento do mercado de seguros. “Nosso trabalho aqui é sempre de construção. Quando trazemos os problemas para a mesa, não é para apontar culpados, mas para buscar caminhos que melhorem a operação para corretores, seguradoras e segurados”, afirmou.
Entre os temas discutidos esteve a ampliação da Pesquisa PMC (Pesquisa de Melhoria Contínua), que agora passará a avaliar também o seguro residencial. A iniciativa, conduzida pelo Sincor-SP, já havia sido aplicada anteriormente no seguro Auto. “Estamos tabulando os dados para iniciar o PMC Residencial. A intenção é entender como os corretores avaliam os produtos, serviços e assistências das seguradoras, sempre com foco em melhoria contínua”, explicou Boris.
Outro assunto que concentrou grande parte dos debates foi o aumento das reclamações relacionadas à assistência residencial. Corretores relataram dificuldades recorrentes envolvendo prestadores de serviços, demora nos atendimentos, falta de resolução dos problemas e excesso de restrições nas coberturas. Segundo Simone Fávaro, o cenário vem gerando desgaste na relação com os segurados. “Hoje a assistência residencial virou um problema sério dentro das corretoras. O prestador vai até o cliente, não resolve, precisa reagendar, e cada novo atendimento exige que o segurado explique tudo novamente. Isso está trazendo muito desgaste”, afirmou Simone.
Os participantes também discutiram diferenças de cobertura entre seguradoras, especialmente em serviços como limpeza de caixa d’água, limpeza de calhas e assistência hidráulica. A proposta é desenvolver um trabalho comparativo das assistências oferecidas pelas companhias, facilitando o entendimento dos corretores sobre as características de cada produto.
Outro ponto da pauta envolveu as diferenças de preços praticados por bancos na comercialização de seguros Auto das mesmas seguradoras que operam com corretores. Segundo relatos apresentados na reunião, em alguns casos os valores ofertados pelas instituições financeiras chegam a ser significativamente inferiores, dificultando a retenção dos clientes pelas corretoras.
As seguradoras presentes explicaram que, em muitos casos, as diferenças decorrem de produtos específicos para operações bancárias, versões distintas de produtos ou divergências nos questionários de risco. Ainda assim, o tema seguirá sendo acompanhado pela comissão.
Também foram debatidos os valores elevados das franquias aplicadas a coberturas de vidros. Corretores relataram situações em que o custo da franquia supera o valor da própria peça no mercado, o que acaba gerando insatisfação dos segurados.
Além disso, a reunião tratou das dificuldades envolvendo vistorias online de caminhões. Segundo os corretores, em muitos casos a responsabilidade operacional acaba recaindo sobre as corretoras, especialmente quando os segurados não conseguem realizar corretamente o processo digital exigido pelas seguradoras.
Na parte institucional, Boris Ber voltou a alertar sobre os impactos da reforma tributária no mercado de seguros e destacou a necessidade de ampliar o debate técnico sobre o tema. “Estamos todos tentando entender o que vem pela frente. Existem discussões complexas envolvendo emissão de nota fiscal, operação das corretoras e novos procedimentos fiscais. Precisamos aprofundar esse debate para orientar o mercado”, afirmou.
O dirigente também informou que o Sincor-SP vem ampliando discussões junto à Fenacor, CNseg e Fenseg sobre temas relacionados a riscos especiais e riscos declináveis, buscando fortalecer o diálogo institucional em torno dessas demandas.
Ao final do encontro, Simone Fávaro reforçou que a Comissão Intersindical seguirá acompanhando os temas discutidos e cobrando avanços operacionais para minimizar os impactos enfrentados pelos corretores no dia a dia.
A próxima reunião da Comissão Intersindical está prevista para 12 de junho.