O Sincor-SP realizou, no dia 23 de outubro, mais uma reunião da Comissão Intersaúde, iniciativa conjunta com o Sindseg-SP que promove o diálogo entre corretores de seguros e operadoras de saúde. Realizado de forma on-line, o encontro abordou a qualidade do atendimento comercial, a retenção de clientes, o suporte no pós-venda e a negociação dos reajustes de contratos empresariais.
A reunião foi conduzida pela 1ª vice-presidente do Sincor-SP e coordenadora da Intersaúde, Simone Fávaro, que destacou a importância de identificar dificuldades recorrentes e buscar soluções conjuntas. O presidente da entidade, Boris Ber, reforçou a necessidade de priorizar resultados concretos. “Temos que perseguir a qualidade e a objetividade desse grupo, principalmente essa forma de resolver os assuntos”, afirmou.
Vanessa Mendes, coordenadora da Comissão de Saúde Suplementar e Odontológico do Sincor-SP e integrante da Intersaúde, ressaltou que os temas apresentados refletem desafios coletivos. “A gente traz aqui as dores e as mudanças do mercado. O intuito dessa reunião é nos apoiarmos e mostrarmos um pouco do que o canal está sentindo, para que possamos traçar melhores caminhos e ter uma comunicação mais harmônica com o canal de distribuição”, destacou.
Um dos principais assuntos foi a dificuldade dos corretores para obter orientações comerciais e operacionais. Simone observou que a divisão das estruturas internas das operadoras pode dificultar a identificação dos responsáveis por cada demanda, especialmente para profissionais sem acesso direto a gestores comerciais.
Vanessa destacou a necessidade de materiais unificados e atualizados com as regras de comercialização e pós-venda. Entre as sugestões esteve a organização, até o início de 2027, de documentos de consulta que facilitem o acesso às informações e reduzam interpretações divergentes.
Outro tema foi a participação do corretor na retenção de contratos empresariais. Simone relatou situações em que as operadoras negociam diretamente com os clientes, oferecendo condições que não haviam sido disponibilizadas ao profissional responsável pela carteira, o que pode fragilizar o relacionamento construído. “O corretor conhece o cliente, sabe até onde consegue ir em uma negociação e pode contribuir para encontrar uma solução equilibrada. Precisamos estar envolvidos nesses processos”, defendeu Simone.
Representantes das operadoras apresentaram diferentes modelos de retenção e destacaram que os procedimentos variam conforme o perfil do corretor e as características da carteira, reforçando a importância de considerar essas particularidades nas negociações.
A capacitação para o pós-venda também esteve entre as prioridades, com destaque para treinamentos sobre movimentações cadastrais, utilização dos sistemas e acompanhamento de contratos.
Outro ponto foi a antecedência na comunicação dos reajustes empresariais. Segundo os relatos apresentados, a divulgação dos índices em prazos reduzidos dificulta a negociação e o planejamento dos contratantes. Também foram mencionadas situações em que as tratativas se prolongam após a aplicação do reajuste, exigindo correções posteriores nas faturas.
Vanessa ressaltou a importância do acesso a indicadores de performance e utilização dos planos, respeitando as exigências de proteção de dados pessoais. Também defendeu maior qualificação técnica dos profissionais, especialmente em temas como sinistralidade e Variação de Custos Médico-Hospitalares (VCMH).
Diante das questões apresentadas, Boris sugeriu uma avaliação estruturada para identificar as dificuldades enfrentadas pelos corretores no relacionamento com cada operadora. A proposta é aproveitar a experiência da Pesquisa para Melhoria Contínua (PMC), já aplicada pelo Sincor-SP em outros segmentos, para orientar melhorias no atendimento, na retenção e no pós-venda. “Não podemos ser injustos e colocar todo mundo na mesma situação. Precisamos separar os assuntos e entender onde estão as dificuldades para conseguir avançar”, ponderou Boris.
A proposta será detalhada pelo sindicato e encaminhada às operadoras para contribuições. O presidente também colocou a estrutura da entidade à disposição para apoiar ações educativas e treinamentos voltados aos corretores.
Durante o encontro, representantes das companhias compartilharam iniciativas para aprimorar o relacionamento com o canal de distribuição, incluindo equipes especializadas, capacitação digital, revisão de processos e utilização de inteligência artificial no atendimento.
Ao encerrar a reunião, Simone destacou a importância de transformar os debates em ações práticas. “Foi uma reunião importante de reflexão, tanto para nós quanto para as operadoras. Agora temos a tarefa de estruturar esse trabalho e apontar as melhorias que podemos construir em conjunto”, afirmou.
A coordenadora anunciou ainda que o próximo encontro, previsto para novembro, será presencial e reunirá integrantes da Intersaúde e da Intersindical, em um momento de integração e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido ao longo de 2026.