O Sincor-SP realizou, no dia 14 de agosto, mais uma reunião da Comissão Intersaúde, reunindo representantes da entidade e de operadoras para avançar na discussão de questões que impactam diretamente o dia a dia dos corretores de seguros que atuam com saúde suplementar. Entre os principais temas estiveram a necessidade de maior suporte no pós-venda, a capacitação das equipes comerciais e de atendimento e o aperfeiçoamento dos portais disponibilizados pelas companhias.
Coordenada pela 1ª vice-presidente do Sincor-SP, Simone Fávaro, a Intersaúde tem como proposta criar um canal permanente de diálogo entre corretores e operadoras, permitindo que dificuldades identificadas na operação sejam discutidas coletivamente e transformadas em oportunidades de melhoria.
Na abertura, o presidente do Sincor-SP, Boris Ber, reforçou a importância da Intersaúde como espaço permanente de diálogo e construção conjunta entre corretores e operadoras. Para ele, a troca de experiências permite identificar dificuldades comuns e avançar em soluções que contribuam para melhorar os processos e o relacionamento no segmento de saúde suplementar. “A gente pode construir muita coisa juntos. Estamos aqui para ouvir, entender os problemas e buscar caminhos que ajudem a melhorar o mercado”, destacou.
Simone destacou que uma das principais dificuldades relatadas atualmente pelos corretores está no pós-venda, sobretudo nos contratos empresariais. Segundo ela, enquanto o processo comercial costuma contar com amplo suporte, depois da contratação ainda existem situações em que o profissional encontra dificuldades para obter informações, acompanhar movimentações ou solucionar demandas de seus clientes. “O corretor precisa de respaldo no pós-venda. Muitas vezes, ele é quem indicou a operadora, acompanha o cliente e responde por essa relação, mas encontra dificuldade para conseguir informação e atendimento quando surge uma necessidade”, disse.
A discussão mostrou que o desafio envolve diferentes etapas, desde inclusões e exclusões de beneficiários até autorizações, movimentações de apólices e situações específicas que exigem orientação técnica. Representantes das operadoras reconheceram a importância do tema e apresentaram iniciativas em andamento para melhorar os processos, incluindo revisão e treinamento das equipes de atendimento e criação ou fortalecimento de estruturas específicas de relacionamento.
Um dos pontos levantados foi a necessidade de ampliar a capacitação sobre o pós-venda. Os participantes observaram que o mercado oferece muitos treinamentos voltados à apresentação e comercialização dos produtos, mas ainda existe espaço para conteúdos que ensinem, de forma prática, como operar as ferramentas e conduzir as demandas após a contratação.
Nesse contexto, Boris Ber colocou a estrutura de comunicação e capacitação do Sincor-SP à disposição para apoiar iniciativas das operadoras, inclusive com a produção de conteúdos, vídeos e encontros voltados à orientação dos corretores e de suas equipes. “A gente pode ajudar nessa divulgação, tratando os fluxos e levando esse conhecimento para um grupo maior de corretores. Se ensinarmos melhor, também teremos vendas melhores e menos problemas depois”, ressaltou o presidente.
As próprias operadoras relataram iniciativas nessa direção. Entre elas estão projetos para levar profissionais especializados em pós-venda às corretoras, ampliar treinamentos e utilizar inteligência artificial para agilizar respostas a dúvidas operacionais. Também foi destacada a necessidade de preparar melhor os corretores que estão ampliando sua atuação do PME para contratos empresariais, já que produtos de diferentes portes possuem regras e processos distintos.
Outro tema da pauta foi a atuação das equipes comerciais das operadoras. Na avaliação apresentada pelo Sincor-SP, além de conhecer os produtos e apoiar a venda, esses profissionais precisam estar preparados para direcionar adequadamente as demandas de pós-venda ou contar com estruturas especializadas que façam essa ponte.
Representantes das companhias reconheceram que essa é uma questão relevante e relataram movimentos internos para aumentar a especialização das equipes. Uma das operadoras informou, inclusive, que está estruturando um time específico para capacitar corretores em processos de pós-venda, como movimentações, inclusões e outras rotinas operacionais.
A reunião também trouxe um exemplo concreto de avanço decorrente das discussões da Intersaúde. Uma das operadoras informou que está finalizando a implantação, em seu portal, de um ambiente que concentrará as campanhas comerciais vigentes, com informações sobre regras específicas e períodos de validade. A melhoria atende a uma demanda apresentada anteriormente pelo grupo e busca facilitar o acesso dos corretores às informações atualizadas. “É muito importante quando trazemos uma demanda para a mesa e conseguimos enxergar uma solução sendo construída. É justamente esse o objetivo da Intersaúde”, avaliou Boris.
Portais precisam acompanhar as necessidades do corretor
As dificuldades de acesso e utilização dos portais das operadoras também tiveram espaço importante no encontro. Foram relatadas situações envolvendo instabilidade dos sistemas, dificuldade para localizar informações e limitações para consultar dados básicos necessários à gestão das carteiras.
Para Simone, ferramentas mais intuitivas e completas são fundamentais para que o corretor possa exercer adequadamente seu papel no atendimento ao cliente. “Precisamos que os portais sejam mais dinâmicos e que coloquem à disposição informações básicas para o nosso trabalho. Não podemos depender de uma solicitação por e-mail e esperar dias por uma informação que poderia estar disponível no sistema”, afirmou.
A Intersaúde também retomou a discussão sobre a judicialização de contratos PME, tema tratado nos encontros anteriores. O grupo demonstrou preocupação com situações em que contratos empresariais são questionados judicialmente como se fossem planos familiares, além da disseminação de orientações inadequadas aos consumidores e aos próprios corretores. O Sincor-SP estuda produzir conteúdo de orientação sobre o assunto, com caráter educativo e sem citar empresas ou casos específicos, apresentando os cuidados necessários e os possíveis riscos envolvidos. A proposta será avaliada também sob o ponto de vista jurídico antes de avançar.
Ao final, Simone destacou a importância das trocas promovidas pela comissão e dos resultados que começam a surgir a partir das demandas apresentadas pelos corretores. “Foi uma reunião bastante importante e válida para os dois lados. Nós aprendemos mais, as operadoras também conseguem conhecer melhor as dificuldades enfrentadas pelos corretores e, com essa troca, podemos construir melhorias”, concluiu.